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terça-feira, 11 de maio de 2010

PROBLEMAS DO CONTEMPORÂNEO

O cartunista Quino (criador de Mafalda) ilustra os grandes pilares da nossa cultura moderna. O homem que dantes comemorava os avanças tecnológicos e científicos como etapas para adentrar ao paraíso padece hoje no inferno da desilusão e solidão. Estamos vivendo num "populoso mundo solitário". Sem necessidade de legendas, pois as imagens são auto-explicativas.

domingo, 25 de abril de 2010

"OS DESENHOS ANIMADOS DE HOJE SÃO VIOLENTOS! NO MEU TEMPO NÃO ERA ASSIM!"

(Vagabond - Takehiko Inoue)

Ouço essa frase de pessoas próximas a mim, com uma freqüência terrível. Discordo dela e das pessoas que a proferem por um único motivo:


No Brasil, desenho é coisa para criança.

Essa afirmação é enbasada na própria maneira como os desenhos animados chegaram ao país. Nossa maneira de lembrar dos desenhos de nossa infância é através dos programas matutinos como Xou da Xuxa, Clube da Criança, Bozo, ShowMaravilha, Casa da Angêlica e, recentemente, Bom Dia e Cia (deixei alguns nomes de fora para evitar redundância!), que seguiam o mesmo formato: uma belíssima apresentadora em trajes sexys que dividiam o palco com outras figuras caricatas, cercado por crianças, estas submetidas à bricadeiras e nos intervalos passavam-se desenhos como mais uma alternativa de diversão para as crianças que assistiam em casa.

Veja alguns programas infantis do SBT



Portanto, para nós, brasileirinhos que crescemos vendo esses programas infantis, quase sempre diurnos, aprendemos que os desenhos eram feitos para as crianças com o intuito de alegrar as crianças.

Desenhos dos anos 80:



E foi assim até o final dos anos 90 e início do ano 2000 quando surgiu...



Sim, senhor, Os Cavaleeeeeeiros do Zodíacoooooooo, com eco de tudo! Que trouxe de vez, creio eu, o anime e mangá de forma concreta para o Brasil. Lembro-me que ele passa à noite na finada Rede Manchete, foi um fenômeno e tanto. Após vieram outros e mais outros e mais... Mangás começaram a ser publicados, eventos pipocaram em todo o país, mas o precoceito continua, frases como essas que ilustram nosso título ainda são audíveis. Isso mostra que não se conhece muito do mercado japonês.

O mais básico a se dizer é o óbvio. Trata-se do mercado japonês, logo os mangás e animes foram criados para eles e seu público não para nós. Por isso, devemos olhar para o seu modo de ver as histórias em quadrinhos, para percebermos serem muito mais do que simples "desenhos com olhos grandes".

Primeiro precisamos compreender o seguinte: enquanto nós ainda estamos discutindo se os quadrinhos são uma forma de literatura, os japoneses já têm certeza disso. Segundo, que o mangá (para falarmos do quadrinho japonês) contempla todos nos ninchos sociais: sejam crianças, adolescentes, adultos, ou mais especificamente donas de casa, mecânicos, esportistas, cozinheiros... há mangás para todos os gêneros, as idades e classes sociais, ou seja, no japão, TODOS consomem mangá. Terceiro, portanto, não existem mangás violentos, mas sim, shonen, shojo, hentai, yaoi, seinen...

Tradução?

Shonen são mangás feitos para Garotos como Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Naruto, Bleach, Death Note...;

(Dragon Ball - Akira Toriyama)


(Cavaleiros do Zodíaco - Masami Kurumada)



(Naruto - Masashi Kishimito)



(Bleach - Tite Kubo)



(Death Note - Takeshi Obata)

Shojo, são dedicados as garotos, mangás mais leves, como Sakura Card Captors, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Kare Kano, Fruits Basket, Nana...


(Sakura Card Captors - CLAMP)


(As Guerreiras Mágicas de Rayearth - CLAMP)


(Kare Kano - Masami Tsuda)


(Fruits Basket - Natsuki Takaya)


(Nana - Ai Yazawa)

Hentai são mangá eróticos (sim! Os japoneses também pensam naquilo!):

(Darkstalkers - Morgana - Artista desconhecido)

Yaoi também são considerados eróticos, mas direcionados ao público feminino:


Os seinen são mangás para adultos, com cenas de sexo e violência extremadas:

(Gantz - Hiroya Oku)
Há outros gêneros, claro que há, mas coloquei estes para que o público leitor deste blogger possa respeitar e parar de culpar os desenhos pela sua violência. Se a mídia brasileira estivesse realmente preocupada com o teor de violência que nossas crianças estão a assistir. Não permitiriam (como os japoneses não permintem) que animes passassem em horários inadequados.
Outro problema, advém da confiabilidade que país tem na televisão. É crível como a geração que assistiu aos desenhos como "Capitão Caverna", "Smurfs", "Jonnhy Quest"... passe diante da tevê ligada veja seu filho que possui uma idade inapropriada para ver aquela animação e passe pelo mesmo faça cara feia, dirigi-se ao quarto onde encontra-se o cônjuge para dizer-lhe com ar superior: "Esses desenhos de hoje são violêntos demais, na minha época não era assim!" É a velha "síndrome do esperto" que assola o nosso país. Viver glorificando o passado e acusando o presente de possuir as mazelas é bancar de esperto diante da nova geração - traduza-se, nas terras tupiniquis, esperto por idiota. Em vez que solicitar que a nosso televisão passe aqueles desenhos em outros horários ou (não sejamos puritanos) pedir que não passem aqueles desenhos, já que cabe aos profissionais da televisão perceber que há um público que não é composto por meninos e meninas que usam fralda, mas de adolescentes e adultos fãs realmente e, nada custa, informar-lhes que devido a inadequação do horário sua atração passará a tal hora à noite.
Mas, não. Estamos falando do Brasil, a terra dos espertos. Se está dando mais audiência os tais desenhos de olhos grandes violentos, é melhor que continue assim. Danem-se a ética e o respeito ao próximo.

E só para esquentar ainda mais o nosso debate. Vamos discutir o caso dos cinemas? Quem percebeu que de uns tempos para cá, os cinemas passaram a adotar anúncios em seus cartazes que dizem a idade recomendada para assistir ao filme? No entanto, se eu, enquanto pai vou bater boca com o pessoal do guiché para que meu filho de oito anos assista a um filme classificado para dezoito, ora estou dizendo diante de todos que assumo toda a responsabilidade, certo?

Outro caso a se comentar é o da própria televisão que em muitos horários inadequados passa certas atrações disfarçadas de telejornalismo como - falo das atrações da tevê pernambucanca - Bronca Pesada ou Ronda Geral. Ou seja, no horário de almoço, quando algumas famílias estão em casa para, vemos morte, morte e mais morte... Os telejornais da tarde? Que com o falso compromisso de transmitir a verdade doa em quem doer: colocam imagens fortes de violência real para nosso deleite taciturnio.

E ai? Como fica? Por que apenas o jornal é classificado como para adultos? Os adultos estão trabalhando, presos a enormes jornadas de trabalho. Quem absorve essa poluição visão são as crianças, pois no Brasil 80% (essa porcentagem se justifica por mim, pois como professor vejo que os horários da manhã estão lotados, enquanto à tarde alguns colégios sofrem para fechar uma urma) estudantes cursam o período da manhã e estão em casa para assistir a "grande programação educativa da televisão brasileira" que dentre as grandes atrações possui MALHAÇÃO, ou traduzido por COMO APRENDER A FAZER SEXO NA TEVÊ.

Por tanto, antes de acharmos tão facilmente um culpado no universo mangá. O melhor seria observarmos melhor e compreendê-lo para não sairmos julgando sem saber. E olharmos a nossa volta para percebemos que no lugar das conseqüências antes devemos procurar as causas reais e concretas.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

AS NOVELAS BRASILEIRAS NÃO SÃO O PROBLEMA

Não basta apenas dizer que as novelas influenciam as pessoas. Dizer que o telespectador segue as tendências da moda que ela gera ou modismo lingüísticos como "é a treva", "estou rosa chiclete", dentre outros que devo desconhecer por não lhes assistir. Isso é pouco, é insuficiente, facilmente desmentido e de pouca relevância. Teorizar sobre as telenovelas no Brasil é falar, na verdade, de como elas falsificam a realidade? O ditado imortalizado pelo propagandista nazista Joseph Goebbels: "Uma mentira contada mil vezes torna-se verdade". Desconheço quantas novelas foram produzidas (estaríamos na milésima?), mas acredito que hoje o que vemos é uma verdade-mentira.

Sabemos como ninguém, que nenhum brasileiro anda de calça jeans nos momentos de lazer em nossas moradas; que nenhuma mulher já acorda com cabelos escovados e maquiada ao cantar do galo; que nordestino (porque o sou e posso garantir) não falam daquela forma caricata; que negros não ocupam papéis subalternos; que o "pobre não leva a vida com humor apesar das dificuldades"; que nossas caras-metade não possuem pele clara e cabelos loiros ou semi; e que se são negras, não são casadas com homens sarados, brancos, com barba mau-feita-bem-feita (já que está sempre no tamanho ideial), o mais engraçado é que sabemos disso. Se se pergunte a alguém andando no meio da rua se as novelas transmitem 100% a realidade nacional, salvo alguns psicóticos, os demais responderão que 100% é exagero.

Logo, fica a pergunta, por que assistismos? Para tentar responder, vou contar uma experiência recente minha, com meus alunos: estava corrigindo um bolo de redações que tinham como tema a televisão. Todas as redações, todas, criticavam a televisão em um desses aspectos que citei, mas meus alunos continuam a assistir. Estranho? Não! Da mesma forma que vou ao cinema assistir aos filmes sabendo que é mentira, meus alunos chegam as suas casas após o colégio e ligam a tevê, a caixa mágica que como disse uma charge de Calvin que li recentemente em uma gramática minha: "a caixa mágica que lança milhões de imagens em um fluxo tão rápido que me impedem de pensar". E quem quer pensar hoje?

O brasileiro acordou as 5 da manhã, chegou as 8 horas da noite a sua casa, ceia e... vai sentar para ler O banquete de Platão? Desculpem, mesmo você, leitor deste blogger, sabe que isso não irá acontecer. Por isso digo-lhes a contra-gosto de alguns, que as novelas no Brasil são ótimas e que cumprem o seu papel de criar uma série de histórias para que os telespectadores não pensam, descansem a mente.

Surpresos? Nem tanto! Num mundo capitalista, só há duas coisas a se fazer, ter dinheiro para gastá-lo. É simples. Só isso. Passamos a vida vendendo nossa mão-de-obra, para no final do mês termos alguns pedaços de papel que simbolocamente dizem valerem algo, para trocarmos por tudo. Sim, TUDO! Comida, saúde, lazer, sexo... Capitalismo é só isso. Os empresários e políticos quebram a cabeça para fazer com que o fluxo de papéis pintados de dinheiro continue a existir; elaborar mais formas de como gastá-los é obrigação dos nossos representantes políticos e empresários a lá Roberto Justus. Quem vive nessa roda-viva, recebe papel, gasta o papel. Se o trabalhador não trabalha, ele precisa estar comprando, pois se não compra, não pode trabalhar.

Por isso, chegamos a estranha pergunta que deve ser aquela feita por todos os empresários à noite quando estão transando com seus cônjuges: "Se o trabalhador vai para casa no final do expediente, ele não está trabalhando, certo? Não está consumindo também, porque cansado foi para o lar doce lar, descansar, certo? Se ele descansar, não compra, certo? O que fazer então? Simples vamos mostrar-lhe o que comprar, dar-lhe opções para gastar os pedaços de papel que ganhará no final do mês! Euréca! É isso! Fómula mágica! Todos felizes!"

Repito, no sistema capitalista só existe venda e compra. Se desejamos manté-lo, precisamos sentar a frente da televisão, implorando, "minta para mim, não permita que eu veja a realidade". Lembre-se de duas passagens emblemáticas do filme MATRIX. Na primeira, Morpheus diz a Neo que não pode simplesmente desconectar todos da Matrix devido a uma rejeição da mente. "Ela não suporta a realidade", diz ele. Na segunda, o Agente Smith, diz a Morpheus capturado, que a primeira Matrix foi projetada para ser o mundo perfeito de cada ser humano, mas que isso não deu certo, foi caótico, segundo ele. É assim que vivemos, presos na nossa Matrix, precisamos que nos iludam. Precisamos das mentiras das telenovelas, pois precisamos manter o sistema capitalista funcionando.

Por que precisamos manté-lo funcionando, você me pergunta caro internalta? Porque o sistema capitalista é a essência humana. Ele é nossa imagem e semelhança. Através dele satisfazemos nossos impulsos, colocamos nossos desejos para fora. Ou você vai negar que não se imaginou em nenhum momento, numa mansão luxuosa, repleta de empregados dando-lhe do bom e do melhor e que no final de sua existência quando seu corpo parar, encontrar com Deus que vai dizer: "Você foi uma boa pessoa, pode entrar!", admitamos seria perfeito, não?

Por que vocês acham que os concursos públicos estão em alta? Por que muitos escolhem as carreiras militares e os cursos universitários das áreas de exastas e saúde? Por quê? O porquê é disso que precisamos, está explícito no próprio funcionar das telenovelas. São meios de gerar dinheiro sem pensar muito. Sem tentar resolver os problemas reais, concretos. Para pensarmos num mundo sem novelas, sem loiras siliconadas, sem mulheres esqueleto, sem homens sarados, sem músculos no lugar de cérebro, sem pobre feliz..., devemos pensar num mundo sem capitalismo. O sistema existe por que o queremos. Como disse o garotinho careca, em outra passagem do filme Matrix para Neo: "A colher não existe".

Este texto foi requerido pelo visitante Lúcio. Obrigado!

domingo, 11 de abril de 2010

DICA DE FILMES: O LEITOR

Um filme fantástico para quem deseja esquecer a trágica participação de Kate Winslet em Titanic.

SINOPSE:

Na Alemanha pós-2ª Guerra Mundial o adolescente Michael Berg (David Kross) se envolve, por acaso, com Hanna Schmitz (Kate Winslet), uma mulher que tem o dobro de sua idade. Apesar das diferenças de classe, os dois se apaixonam e vivem uma bonita história de amor. Até que um dia Hanna desaparece misteriosamente. Oito anos se passam e Berg, então um interessado estudante de Direito, se surpreende ao reencontrar seu passado de adolescente quando acompanhava um polêmico julgamento por crimes de guerra cometidos pelos nazistas.

TRAILER:



domingo, 4 de abril de 2010

TERRA EM TRANSE (DE GLAUBER ROCHA)


Assisti ontem (hoje, já que era uma da madrugada) o filme de Glauber Rocha, Terra em Transe. Recomendo-o. Não pela imagem, pois foi filmado em 1967(e aparetemente, seu diretor quis realmente passar a impressão de um mundo em transe, apático, confuso), o áudio também não ajuda, já que naquele período primeiro o filme era gravado depois os atores gravavam o áudio e se dublavam, mas as partes audíveis revelam momentos sublimes. Os diálogos são impecáveis. Há uma frase que até parei o filme para registrar: "Não anuncio cantos de paz, nem me interesso as flores do estilo. Como por dia mil notícias amargas que definem o mundo em que vivo" (Paulo Martins - personagem do filme).

Sinopse:

Na fictícia República de Eldorado, Paulo Martins é um jornalista e poeta que tenta mudar a situação de miséria e injustiça que assola o país. O jornalista trama a ascensão ao governo da cidade de Alecrim de um candidato supostamente progressista chamado Felipe Vieira, o qual concorrerá posteriormente à presidência da República contra o senador Porfírio Diaz, tecnocrata que apoiou a candidatura do atual Presidente, Fernandez.

Para estes fins, Martins busca o apoio do maior empresário do país para deter o avanço de uma multinacional estrangeira sobre o capital nacional. Inicialmente, tudo vai bem, porém problemas sociais e a corrupção arruinarão suas intenções. Tudo isso em meio a um triângulo amoroso entre Martins, a ativista Sara e a meretriz Sílvia. As semelhanças com a ditadura militar do Brasil, naturalmente, são intencionais.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Participação do Brasil na 1ª Guerra Mundial

Aula de um professor de história comentando sobre a participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial. (A história que os livros esquecem de contar).

Vale a pena assistir!