quinta-feira, 3 de junho de 2010

MOMENTO DE LEITURA: TEXTO DE CONTARDO CALLIGARIS


Melhor não conhecer quem você ama.


CONTARDO CALLIGARIS


Faz tempo que Laura Kipnis, professora de comunicação na Universidade Northwestern, nos EUA, escreve sobre a vida amorosa e sexual com uma inteligência e com um brio invejáveis. Seu último livro acaba de ser publicado no Brasil, "Contra o Amor, uma Polêmica" (Record).

Para Kipnis, diante da vida de casal (e no meio dela), nossa ambivalência é sem solução: "Por um lado, o anseio por intimidade; por outro, o desejo de autonomia; por um lado, o conforto e a segurança da rotina; por outro, sua medonha previsibilidade; por um lado, o prazer de ser conhecido profundamente (e de conhecer profundamente outra pessoa); por outro, os papéis restritivos que essa familiaridade prevê".

Kipnis acrescenta que a familiaridade produz "a rotina do "Pare de Tentar Me Mudar" e a rotina do "Pare de Me Culpar por Sua Infelicidade'". São, de fato, duas grandes armadilhas da intimidade do casal: "Você me conhece tão bem que o deleite da surpresa foi substituído pela paixão pedagógica de me transformar". Ou então: "Você me conhece tão bem que consegue sempre encontrar em mim as razões de sua insatisfação".

Não sei se existem formas de convivência íntima capazes de evitar que o parceiro se torne tristemente familiar. Kipnis pensa que não; pessimista e freudiana, ela não acredita em esparadrapos: na vida de casal, anseios contraditórios se chocam sem parar e sem remédio. Queremos o impossível: a transparência recíproca e, ao mesmo tempo (paradoxo), a preservação daquela aura misteriosa sem a qual, para o outro, somos "o cara" ou "a mina" de sempre, sem surpresas.

Muitos acham intolerável ser conhecidos profundamente pelo parceiro. Na convivência do casal, uma expressão banal como "Eu te conheço" pode ser recebida com ojeriza e rebeldia, como se o olhar do outro se tornasse, assim, a tumba de todos os possíveis: "Você é este aqui, que amo e conheço, e não é, não foi e não será nenhum outro".

Ora, freqüentemente, uma fantasia responde a essa dificuldade do amor. É o devaneio de uma vida passada, totalmente outra e geralmente excessiva, arriscada e aventurosa -o contrário, em geral, do cotidiano atual do casal. O parceiro desconheceria esse passado: ele nos amaria sem saber quem somos, ou melhor, ela amaria, em nós, um mistério.

Por isso, acontece, às vezes, que um dos membros de um casal fabule sobre seu passado, não para tornar-se mais digno do amor recebido (ou seja, mais conforme com o que o outro espera), mas para declarar que ele pode ser radicalmente diferente do que o parceiro imagina. No caso, trata-se de mentiras que não querem "melhorar" a imagem de quem fabula; ao contrário, elas inventam um currículo inquietante: "Já fui drogado, heroína na veia", "Teve uma época em que transava só em grupo, com homens, mulheres e qualquer coisa que se mexesse" e por aí vai.

Conheci, por exemplo, um casal em que o marido jurava ter passado anos na prisão (e não por um erro judiciário). A mulher teimava em demonstrar que o marido mentia, exibia certificados de antecedentes penais, alegava testemunhas, provava que nada disso era possível. Ela ganhou a disputa, mas foi o fim do casal, pois o marido mentia para continuar acreditando que, apesar da "normalidade" do casamento, sua vida permanecia livre e aventurosa. Mais do que isso, ele queria ser amado pelo mistério de seu passado inventado, não pelo conformismo de seu presente. Privado de um falso "segredo" que o mantivesse como enigma aos olhos de sua amada, ele recorreu à banalidade de pequenas traições para criar, em compensação, segredos reais. Logicamente, a relação acabou.

Para esse impasse da vida amorosa, o cinema, repertório de nossos devaneios, propõe algumas soluções.

O exemplo inaugural é "Gatilho Relâmpago" ("The Fastest Gun Alive", 1956), de Russel Rouse, em que Glenn Ford vive como comerciante tranqüilo (e quase "moscão") numa pequena cidade do Oeste americano. De fato, ele e sua família estão fugindo de um passado em que ele era o maior dos pistoleiros. Claro, um dia a coisa estoura.

Melhor ainda é um filme que estréia amanhã no Brasil, "Marcas da Violência", de David Cronenberg. Melhor, digo, não só por ser dirigido com extrema simplicidade e maestria, mas por propor uma versão aprimorada da fantasia em questão. À diferença do que acontece em "Gatilho Relâmpago", aqui ninguém sabe se o protagonista esconde ou não um estranho passado: nem o espectador nem (mais importante) a mulher. Ao meu entender (vejam se vocês concordam), depois dos acontecimentos, a família continuará mais unida do que nunca, por todos terem aprendido a amar sem a pretensão de conhecer quem eles amam.
Agora, a solução ideal mesmo é a história de Jason Bourne ("A Identidade Bourne", de 2002, e "A Supremacia Bourne", de 2004). Nesse caso, nem Bourne sabe direito qual foi seu passado. A mulher que, no primeiro filme, torna-se sua companheira se apaixona por um sujeito que é um enigma para ele mesmo. Talvez essa seja a melhor maneira de amar e de ser amado. Mas fazer o quê? Nem todo mundo pode ser agente secreto e amnésico.

terça-feira, 1 de junho de 2010

JOVENS VÂNDALOS

Li no Jornal do Commercio de domingo (30/05/07), que um grupo de jovens organizaram uma baderna através do Orkut e, depois do feito, divulgaram sua atuação no YouTube. Muito poderia ser dito sobre estes jovens e sua juventude perdida. Autoridades policiais, psicanalistas e pais vêem o (mal) exemplo como um momento para glorificar um passado (o seu obviamente) onde os jovens eram calmos e respeitavam as leis (paternais ou sociais).

Gostaria de endossar as críticas, mas usar o futuro do pretérito do verbo gostar não foi mero acaso. Para aqueles que desconhecem, esse tempo verbal indica uma ação que ia ocorrer (futuro), no entanto algo a impede deixando-a na impossibilidade (passado). Perdoem meu ceticismo. Acho, apenas, que o discurso saudosista olha as conseqüências e não as causas. Criou-se um discurso silencioso nos meios jornalísticos, que como diz Eni P. Orlandi (2007, p.16) “[...] produzem realmente a multiplicação (diversificação) dos meios mas, ao mesmo tempo, homogeneízam os efeitos”, por outras palavras, classificar o evento corrido de falta de limites dos adolescentes atuais é esquecer que o sujeito se constitui na/pela história.

A psicanálise explica que a adolescência é uma fase-crise, aquela criança que olhava para os pais e via grandes heróis, perfeitos e indestrutíveis, começa a perceber nos pais o seu reflexo falho, distorcido e imperfeito. Essa energia que foi investida retorna e agora será lançada em outro(s) objeto(s). Dar ouvidos ao conselho de amigos e namorados parece natural então. Portanto, seria esse o momento de dizer que aqueles jovens foram influenciados por mentes juvenis desequilibradas? Talvez fosse mais uma resposta fácil. Direi não e explico-me através da pergunta (o não-dito): Por que anunciar com antecedência em um site de relacionamento diante de todos os internaltas? Por que divulgar a filmagem em um site onde todos podem ver? Seus rostos serão identificados, por que correr esse risco?

Alguém dirá: “São jovens carentes, que não tiveram boa educação nem de casa nem da escola.” Os leitores que pensam assim estão enganados. Mais uma vez caíram no velho-novo discurso jornalístico. Pois, nos levaria a concluir que os culpados são os pais e professores e, perdoem insistência, isto seria muito fácil, não? Volto a questioná-los. Por que escolher um meio eletrônico a vista de todos? Os antigos nos ensinaram a tramar na surdina, criar códigos como os templários e desconfiar de tudo e todos para que o segredo fosse bem guardado como na guerra fria, mas aqueles jovens não fizeram nenhuma esforço para esconder o que estavam tramando. Esse é o discurso silencioso que comentei mais acima, um discurso que a mídia impressa e televisiva esqueceu-se de resgatar (coincidência?).

Há, na adolescência, outra crise acontecendo: a busca da identidade. O jovem deseja saber quem ele é longe dos pais e qualquer figura representante de autoridade como os professores, por exemplo. Como se eles olhassem para o mundo e perguntassem: “O que você espera de mim?”, “O que quer que eu seja?”, “O que eu quero ser?”. Na busca por respostas, ele olha para a própria cultura - a mesma que grande parte dos pais e professores (mais estes que aqueles, infelizmente) passaram a vida inteira alertando-os para tomarem cuidado e aprenderem a pensar por si mesmos. E o que a cultura lhes responde: TENHA VISIBILIDADE.

Mesmo que para isso seja preciso andar de fio dental em um programa televisivo e jogar fora seu curso de advocacia, medicina, docência...; mesmo que tenha que aparecer numa capa de revista masculina ou de fofoca sem calcinha (de propósito claro! Para depois dizer que não sabia.); mesmo que fale “probrema”, mas exiba um corpo sarado e músculos definidos; mesmo que faça um filme pornô e chame isso de arte; mesmo que tire a roupa no meio da rua (e depois diga aos repórteres que o fez como sinal de protesto); mesmo que case com alguém famoso(a) e dois dias depois separe; mesmo que para isso precise ir ao motel com três travestis; mesmo que tenha que casar com um bandido..., se o resultado for obter visibilidade, com certeza haverá sucesso e no final felicidade.

Não se choquem. Olhem para os comerciais, as novelas, os tele-jornais, as revistas de fofoca... todos querem aparecer na mídia, serem vistos, serem famosos. Disse Arnaldo Jabor em uma crônica: “Num país onde todos querem ser vistos, ninguém vê ninguém”. Porque só assim seremos felizes. Por isso, os jovens da zona sul postaram o vídeo no YouTube, eles queriam ser vistos. Já posso até imaginar um pequeno diálogo no Orkut após a saída da matéria no JC:


Assaccinosserialquiller:

VIU?! SAIMO NO JORMAL TAMO FAMOSO, MOVEIO! NA PROCHIMA, MATAMO GENTE!

Onoismetalhamooprofeçoor:

INTÃO!!!!!! E NOIS!!! E SO ISCOLE O CANO!!!!!!!!!!!!

OBS.: O diálogo e os erros são fictícios!

Escrevi o texto, pois estou cansado de ver velhas mazelas sendo vistas como novas. Ouvir as pessoas conversando nos ônibus glorificando um passado que não volta mais. Ler livros que culpam nós, professores, por não conseguirmos derrotar a grande mídia e seu discurso silencioso de mover o mundo não pensando num bem-estar comum, mas e apenas, no lucro que podem obter, vendo jovens destruírem suas vidas contanto que tenham algo para publicar. Recomendo a leitura do texto de Arnaldo Jabor “Reality Shows matam nossa fome de verdades”. Para analisar como nós ficamos tão fascinados por esses programas que mostram a “realidade”.

Por isso, numa cultura de consumo, exibicionismo e valorização da mediocridade me espanta a matéria estampada na capa do jornal. Como disse, isto é a conseqüência não a causa, ninguém deveria ficar chocado. Olhem para a nossa cultura atual e se pergunte: Não é esperado? Não é óbvio que iria acontecer? Antes de assustados deveríamos bater palmas para esses jovens, pois eles conseguiram. Concretizaram o sonho midiático, alcançaram o show business, obtiveram seus cinco minutos de fama. Pais orgulhosos: “Agora, meu/minha filho(a) é famoso(a)!”; Nós, docentes, também vamos aplaudi-los de pé: “Finalmente fizeram jus a nosso salário medíocre! Quem precisa de educação quando se tem televisão e fama?! Quem?”. Jovens, estamos orgulhosos de vocês! Parabéns! Mas, infelizmente daqui a pouco seu sucesso será coisa velha, não venderá estampará mais capas de jornais e revistas ou estará nos tele-jornais, por isso vão precisar de algo mais grave, o que será?

P.S.: ESTE TEXTO FOI ENVIADO AO JORNAL DO COMMERCIO-PE.

sábado, 29 de maio de 2010

DICAS DE FILME: THE WOLFMAN

Para quem gosta de filmes de velhas lendas é, no mínimo, interessante! Confesso que filmes sobre lobisomens são sempre meio papéticos, mas este conseguiu se sobressair. Além de uma história muito interessante, no seu elenco temos Anthony Hopkins (dando um show de interpretação como sempre) e Hugo Weaving ( o nosso bem conhecido Agente Smith de Matix).

SINOPSE:

The Wolf Man devolve o mito do homem amaldiçoado às suas funestas raízes. Benicio Del Toro interpreta Lawrence Talbot, um nobre que retorna à mansão de sua família após o desaparecimento de seu irmão e se encontra com seu tenebroso pai (Anthony Hopkins).
A infância de Lawrence terminou na noite em que sua mãe morreu. E mesmo depois de ir embora, ele levou décadas para se recuperar e esquecer o evento. Entretanto, aceita o pedido da noiva de seu irmão, Gwen Conliffe (Emily Blunt), para que procure o noivo. No processo, ele descobre que aldeões vêm sendo mortos por algo feroz e sanguinário. Um suspeito inspetor da Scotland Yard, chamado Aberline (Hugo Weaving), chega à cidade para investigar os crimes.
Conforme as peças do quebra-cabeças vão se encaixando, Lawrence descobre uma antiga maldição que transforma suas vítimas em lobisomens, nas noites de lua cheia. E para proteger a mulher por quem se apaixonou, Talbot deve destruir a criatura que se oculta no bosque de Blackmoor.
The Wolf Man (O Lobisomem, na tradução clássica), é um remake do filme homônimo lançado pela Universal em 1941. A nova versão conta com a direção de Joe Johnston e tem estréia marcada para 3 de abril de 2009.

TRAILER:

sábado, 15 de maio de 2010

AULÃO DE REDAÇÃO


Primeiro, gostaria de agradecer a participação de todos os alunos no aulão de hoje, foi realmente uma aula instigante. Falar-lhe sobre o capitalismo suas vicissitudes, verossimilhanças e fraquezas foi uma oportunidade como tenho em poucas vezes nas aulas de redação. Dito isto, aviso que o link para dar o download no slide do aulão encontra-se abaixo:

AULÃO DE REDAÇÃO

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terça-feira, 11 de maio de 2010

PROBLEMAS DO CONTEMPORÂNEO

O cartunista Quino (criador de Mafalda) ilustra os grandes pilares da nossa cultura moderna. O homem que dantes comemorava os avanças tecnológicos e científicos como etapas para adentrar ao paraíso padece hoje no inferno da desilusão e solidão. Estamos vivendo num "populoso mundo solitário". Sem necessidade de legendas, pois as imagens são auto-explicativas.

domingo, 25 de abril de 2010

"OS DESENHOS ANIMADOS DE HOJE SÃO VIOLENTOS! NO MEU TEMPO NÃO ERA ASSIM!"

(Vagabond - Takehiko Inoue)

Ouço essa frase de pessoas próximas a mim, com uma freqüência terrível. Discordo dela e das pessoas que a proferem por um único motivo:


No Brasil, desenho é coisa para criança.

Essa afirmação é enbasada na própria maneira como os desenhos animados chegaram ao país. Nossa maneira de lembrar dos desenhos de nossa infância é através dos programas matutinos como Xou da Xuxa, Clube da Criança, Bozo, ShowMaravilha, Casa da Angêlica e, recentemente, Bom Dia e Cia (deixei alguns nomes de fora para evitar redundância!), que seguiam o mesmo formato: uma belíssima apresentadora em trajes sexys que dividiam o palco com outras figuras caricatas, cercado por crianças, estas submetidas à bricadeiras e nos intervalos passavam-se desenhos como mais uma alternativa de diversão para as crianças que assistiam em casa.

Veja alguns programas infantis do SBT



Portanto, para nós, brasileirinhos que crescemos vendo esses programas infantis, quase sempre diurnos, aprendemos que os desenhos eram feitos para as crianças com o intuito de alegrar as crianças.

Desenhos dos anos 80:



E foi assim até o final dos anos 90 e início do ano 2000 quando surgiu...



Sim, senhor, Os Cavaleeeeeeiros do Zodíacoooooooo, com eco de tudo! Que trouxe de vez, creio eu, o anime e mangá de forma concreta para o Brasil. Lembro-me que ele passa à noite na finada Rede Manchete, foi um fenômeno e tanto. Após vieram outros e mais outros e mais... Mangás começaram a ser publicados, eventos pipocaram em todo o país, mas o precoceito continua, frases como essas que ilustram nosso título ainda são audíveis. Isso mostra que não se conhece muito do mercado japonês.

O mais básico a se dizer é o óbvio. Trata-se do mercado japonês, logo os mangás e animes foram criados para eles e seu público não para nós. Por isso, devemos olhar para o seu modo de ver as histórias em quadrinhos, para percebermos serem muito mais do que simples "desenhos com olhos grandes".

Primeiro precisamos compreender o seguinte: enquanto nós ainda estamos discutindo se os quadrinhos são uma forma de literatura, os japoneses já têm certeza disso. Segundo, que o mangá (para falarmos do quadrinho japonês) contempla todos nos ninchos sociais: sejam crianças, adolescentes, adultos, ou mais especificamente donas de casa, mecânicos, esportistas, cozinheiros... há mangás para todos os gêneros, as idades e classes sociais, ou seja, no japão, TODOS consomem mangá. Terceiro, portanto, não existem mangás violentos, mas sim, shonen, shojo, hentai, yaoi, seinen...

Tradução?

Shonen são mangás feitos para Garotos como Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Naruto, Bleach, Death Note...;

(Dragon Ball - Akira Toriyama)


(Cavaleiros do Zodíaco - Masami Kurumada)



(Naruto - Masashi Kishimito)



(Bleach - Tite Kubo)



(Death Note - Takeshi Obata)

Shojo, são dedicados as garotos, mangás mais leves, como Sakura Card Captors, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Kare Kano, Fruits Basket, Nana...


(Sakura Card Captors - CLAMP)


(As Guerreiras Mágicas de Rayearth - CLAMP)


(Kare Kano - Masami Tsuda)


(Fruits Basket - Natsuki Takaya)


(Nana - Ai Yazawa)

Hentai são mangá eróticos (sim! Os japoneses também pensam naquilo!):

(Darkstalkers - Morgana - Artista desconhecido)

Yaoi também são considerados eróticos, mas direcionados ao público feminino:


Os seinen são mangás para adultos, com cenas de sexo e violência extremadas:

(Gantz - Hiroya Oku)
Há outros gêneros, claro que há, mas coloquei estes para que o público leitor deste blogger possa respeitar e parar de culpar os desenhos pela sua violência. Se a mídia brasileira estivesse realmente preocupada com o teor de violência que nossas crianças estão a assistir. Não permitiriam (como os japoneses não permintem) que animes passassem em horários inadequados.
Outro problema, advém da confiabilidade que país tem na televisão. É crível como a geração que assistiu aos desenhos como "Capitão Caverna", "Smurfs", "Jonnhy Quest"... passe diante da tevê ligada veja seu filho que possui uma idade inapropriada para ver aquela animação e passe pelo mesmo faça cara feia, dirigi-se ao quarto onde encontra-se o cônjuge para dizer-lhe com ar superior: "Esses desenhos de hoje são violêntos demais, na minha época não era assim!" É a velha "síndrome do esperto" que assola o nosso país. Viver glorificando o passado e acusando o presente de possuir as mazelas é bancar de esperto diante da nova geração - traduza-se, nas terras tupiniquis, esperto por idiota. Em vez que solicitar que a nosso televisão passe aqueles desenhos em outros horários ou (não sejamos puritanos) pedir que não passem aqueles desenhos, já que cabe aos profissionais da televisão perceber que há um público que não é composto por meninos e meninas que usam fralda, mas de adolescentes e adultos fãs realmente e, nada custa, informar-lhes que devido a inadequação do horário sua atração passará a tal hora à noite.
Mas, não. Estamos falando do Brasil, a terra dos espertos. Se está dando mais audiência os tais desenhos de olhos grandes violentos, é melhor que continue assim. Danem-se a ética e o respeito ao próximo.

E só para esquentar ainda mais o nosso debate. Vamos discutir o caso dos cinemas? Quem percebeu que de uns tempos para cá, os cinemas passaram a adotar anúncios em seus cartazes que dizem a idade recomendada para assistir ao filme? No entanto, se eu, enquanto pai vou bater boca com o pessoal do guiché para que meu filho de oito anos assista a um filme classificado para dezoito, ora estou dizendo diante de todos que assumo toda a responsabilidade, certo?

Outro caso a se comentar é o da própria televisão que em muitos horários inadequados passa certas atrações disfarçadas de telejornalismo como - falo das atrações da tevê pernambucanca - Bronca Pesada ou Ronda Geral. Ou seja, no horário de almoço, quando algumas famílias estão em casa para, vemos morte, morte e mais morte... Os telejornais da tarde? Que com o falso compromisso de transmitir a verdade doa em quem doer: colocam imagens fortes de violência real para nosso deleite taciturnio.

E ai? Como fica? Por que apenas o jornal é classificado como para adultos? Os adultos estão trabalhando, presos a enormes jornadas de trabalho. Quem absorve essa poluição visão são as crianças, pois no Brasil 80% (essa porcentagem se justifica por mim, pois como professor vejo que os horários da manhã estão lotados, enquanto à tarde alguns colégios sofrem para fechar uma urma) estudantes cursam o período da manhã e estão em casa para assistir a "grande programação educativa da televisão brasileira" que dentre as grandes atrações possui MALHAÇÃO, ou traduzido por COMO APRENDER A FAZER SEXO NA TEVÊ.

Por tanto, antes de acharmos tão facilmente um culpado no universo mangá. O melhor seria observarmos melhor e compreendê-lo para não sairmos julgando sem saber. E olharmos a nossa volta para percebemos que no lugar das conseqüências antes devemos procurar as causas reais e concretas.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

DICA DE FILME: AS HORAS

Magnífico filme que conta um pouco da vida da escritora inglesa Virginia Wolf e da produção de seu livro, considerado por muitos sua obra prima, Mrs. Dalloway. Para quem gosta de história de escritores e para quem gosta de assistir a excelentes filmes, este não irá lhe decepcionar.

Sinopse
Em três períodos diferentes vivem três mulheres ligadas ao livro "Mrs. Dalloway". Em 1923 vive Virginia Woolf (Nicole Kidman), autora do livro, que enfrenta uma crise de depressão e idéias de suicídio. Em 1949 vive Laura Brown (Julianne Moore), uma dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeja uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro. Nos dias atuais vive Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que vive em Nova York e dá uma festa para Richard (Ed Harris), escritor que fora seu amante no passado e hoje está com Aids e morrendo.


Assista ao trailer: